





Todos os dias do ano deveríamos festejar o dia mundial do teatro, porque nestes vinte séculos sempre ficou acesa a sua chama em algum canto da terra.
O teatro sempre teve também a sua morte decretada, sobretudo com o surgimento do cinema, da televisão e agora com os meios digitais. A tecnologia invadiu os cenários e sufocou a dimensão humana. Tentou-se um teatro plástico, perto da pintura em movimento, e deixou-se de lado a palavra. Houve obras sem palavras, ou sem luz, ou sem atores, somente fantoches e bonecos instalados em cena, com múltiplos efeitos e luzes.
A tecnologia tentou converter o teatro em fogos artificiais ou em espetáculos de feiras. Hoje assistimos a volta do ator na frente do espectador. Hoje presenciamos o retorno da palavra no palco. O teatro renunciou a comunicação de massa e reconheceu os seus próprios limites, impostos pela presença de dois seres defrontes um do outro, que se comunicam com sentimentos, emoções, sonhos e esperanças. A arte cênica está deixando de contar histórias para debater idéias.
O teatro comove, ilumina, incomoda, perturba, exalta, revela, provoca, transgride. É uma conversação compartilhada com a sociedade.
O teatro é a primeira das artes a se confrontar com o nada, as sombras, as luzes e a vida.
O teatro é um fato vivo que se consome a si mesmo enquanto produção, mas sempre renasce das cinzas. É uma comunicação mágica na qual todas as pessoas dão e recebem alguma coisa que as transformam.
O teatro reflete a angústia existencial do homem e vasculha a condição humana. Por meio do teatro, não falam seus criadores e sim a sociedade do seu tempo.
O teatro tem inimigos visíveis: a ausência de verdadeira educação artística para as crianças, o que impede que estas o descubram e gozem de seus benefícios; a pobreza que invade o mundo, distanciando espectadores das poltronas, ora vazias; e como maior algoz, a indiferença e o desprezo dos governos que deveriam promovê-lo, com critérios mais democráticos.
No teatro falaram os deuses e os homens, mas agora o homem fala para outros homens. Por isso, o teatro tem que ser maior e melhor que a vida mesmo. O teatro é um ato de fé no valor de uma palavra sensata, num mundo demente. É um ato de fé nos seres humanos que são responsáveis pelo seu destino.
O teatro tem que ser vivido para se entender o que está nos acontecendo, para transmitir a dor que paira no ar, mas também para vislumbrar um raio de esperança no caos e pesadelo cotidiano.
Vivam os que oficiam o ritual teatral! Viva o teatro!
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